A palestra apresenta o processo criativo da coleção escultórica As Revoltosas, que percorre os eixos da memória, tradição, inovação e criatividade, utilizando a cultura material pré-colonial amazônica como ferramenta de experimentação artística, design decolonial, ancestralidade e ativação do protagonismo feminino. Será apresentado o mapeamento das representações femininas presentes na cerâmica arqueológica — cabeças de urnas funerárias, animais míticos, adornos corporais, úteros e instrumentos de proteção — que culminaram em experimentações nas artes visuais, na performance e no audiovisual.
A proposta estabelece um diálogo direto com a exposição Amazônicas: Poéticas Femininas, em cartaz no CCBB Rio de Janeiro sob curadoria de Sissa Aneleh, uma das palestrantes deste encontro. Ambas as propostas compartilham eixos temáticos centrais — a materialidade ancestral, o protagonismo feminino amazônico e o matriarcado como força estruturante da produção artística e simbólica da região. Enquanto Amazônicas: Poéticas Femininas reúne obras contemporâneas de artistas amazônicas organizadas nos núcleos Materialidades Ancestrais, Performáticas, Amazônia Pictórica e Gravura Feminina, As Revoltosas, que faz parte da exposição, oferece um estudo de caso específico de como a cultura material arqueológica pode ser reativada como processo criativo e político — traçando um percurso que vai da cerâmica ancestral à escultura contemporânea e ampliando, a partir de outro ponto de vista, as questões de ancestralidade e visualidade amazônica que atravessam a mostra.